sábado, 1 de março de 2008

Vítimas determinadas

Responsabilidade. Engraçado como a maioria dos problemas é relacionada a fuga da responsabilidade.
Tudo que acontece conosco é de nossa responsabilidade. Não porque escolhemos conscientemente o que acontece, claro que não. Mas, de certa forma, permitimos que aconteça.
Na faculdade falavam mal do behaviorismo, mas eu sempre entendi sua forma prática. Sempre entendi que não existe livre-arbítrio; pela teoria não existe. E entendo exatamente da mesma forma que entendo a sistêmica. Por ela, se formos pensar, também não existe livre-arbítrio.
Não falando do livre-arbítrio pelo conceito religioso! falando do livre-arbítrio no sentido de uma liberdade de ação, de uma ação movida apenas pela vontade.
Pelo behaviorismo, nossas ações são movidas por estímulos exteriores antecedentes. E "respondemos" a esses estímulos - nos comportamos - de forma modelada. A modelagem vem das experiências gratificantes que tivemos. Num prédio de 10 andares, para alguém que desenvolveu fobia de altura, é gratificante se afastar da janela. Então é bem provável que repita esse comportamento sempre que estiver em lugares altos (exemplo simples)... não motivado por sua vontade.
Na sistêmica, todo um grupo age como se fosse uma máquina. A ação de um afeta a ação do outro. É como se o estimulo (do behaviorismo) viesse das relações, do comportamento do outro, da forma como o outro afeta o nosso ambiente, do que o outro espera de nós, do papel que temos nesse sistema. Quando estamos inseridos no sistema, dificilmente percebemos que estamos sendo movidos por ele.
Se somos o filho bom, vamos agir sempre como o filho bom. Se somos a ovelha-negra, idem. É o que esperam de nós. E não nossa vontade! Não é livre-arbítrio.
Aí, entra a responsabilidade. Bem aqui.
Vitimização é fuga da responsabilidade. É culpar os outros e o mundo por nosso sofrimento. É agir de forma modelada.
É pela responsabilidade que controlamos nossas ações. E é difícil ter responsabilidade. É preciso se conhecer, saber o que te move. É preciso afastar os estimulos das nossas escolhas. É agir diferente do que foi modelado. É preciso ser mais egoísta para ser responsável... egoísta no que diz respeito a deixar de só atender as expectativas dos outros; a deixar de cumprir o papel que estabeleceram. É preciso sair do automático. Reagir, com consciência, muda a forma como o sistema opera.
Responsabilidade é pessoal e intransferível.

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