quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Medo de que?

Nós e nossos medos.
Medo de tudo.
Medo de estar sendo rígida demais... medo de estar sendo permissiva demais.
Medo de estar fazendo pouco... medo de estar fazendo além do que se é capaz.
Medo de parecer muito megera... medo de virar a palhaça da história.
Medo de tudo que pode nos definir em uma só palavra.

Não somos uma só palavra. Não somos 10 palavras... talvez nem 100.

Não sei quem eu fui hoje. Não tive tempo de pensar nisso. Mas estava diferente de quem fui ontem e mal me reconheci.
Fui, e só.
Amanhã... não sei quem vou ser. E sei que não quero ser quem fui hoje. E sei que, até pelas circunstâncias, não vou ser quem fui hoje.
Amanhã, vou ter medo de que?

sábado, 13 de setembro de 2008

Mentira auto-realizadora

Cuidado com o que você fala pra uma criança ou de uma criança.
Existe uma coisa muito perigosa chamada profecia auto-realizadora.
"A chamada PROFECIA AUTO-REALIZADORA é uma consequência da ação dos esquemas sociais. Consiste na exibição de um padrão de comportamentos, que, guiados por esquemas, faz com que a pessoa alvo deste comportamento seja influenciada por ele e responda de forma coerente com as expectativas"
PSICOLOGIA SOCIAL, de Aroldo Rodrigues, Eveline Assmar e Bernardo Jablonski
Ou seja, se você fala pra um menino de 10 anos que ele é um bandido, um mau-caráter, que não é nada e nunca vai ser nada, e outras coisas desse tipo, e ainda fala isso na frente de quem estiver lá pra ouvir... qual a saída desse menino? Por mais que eu entenda que a sua intenção é fazer com que ele perceba que as atitudes e decisões que ele tem tomado não são nada corretas, e que seu medo é de que ele se torne mesmo um bandido (até porque esse tem sido o futuro da família dele), eu quero te mostrar o quanto você está contribuindo pra que isso (o futuro que você está querendo evitar) se torne verdade.
Sim, sim... isso é um ensaio pra falar com alguém de verdade. Alguém que tem um coração gigante, mas que ainda não conseguiu domar as próprias palavras. Mas serve pra todo mundo.
Cuidado com o que você espera de uma criança. Elas querem tanto agradar os adultos que vão fazer de tudo... inclusive virar bandido, só pra você ter o que "queria".
E esse menino, que também é de verdade, tem me deixado muito preocupada. Ele tem um muro tão forte em torno dele, uma resistência tão grande... um personagem de indiferença super bem montado. Ele mente sem nem piscar! E eu tento muito ir desarmada ao encontro dele, pra não achar que tudo que ele fala é mentira... mas sempre saio na dúvida.
Mentira, aliás, é uma coisa interessante.
Talvez nem tanto na criança... já que a fantasia nelas é muito forte, e a mentira ainda não se define como uma coisa tão imoral ( e aí tá o perigo... eles tem que aprender enquanto é tempo a imoralidade da mentira)... mas nos adultos, ela é muito interessante.
Essa pessoa de coração gigante por exemplo, tem sentido dores fortes no corpo. Estresse, com certeza. Mas tenho reparado que ela mente todo dia! Mente quando fala pra esse menino que não quer mais ajudá-lo, por exemplo... mente quando fala pra alguma mãe que sabe que ela faz o possível pelo filho (quando vê, nitidamente, que a mãe c* e anda pra criança, apesar de dizer que faz tudo por ele)... mente pra manter a ordem, mente pra se manter forte, mente pra atingir alguém (pro bem, por bem ou por mal).
Mas a mentira é uma contradição nossa... vai de encontro com o que realmente pensamos. E o nosso corpo sabe! Ele sente.
Tanto é que o Polígrafo (detector de mentira) trabalha em cima das mudanças fisiológicas que a mentira causa. Olha que lindo! Seu corpo não sabe mentir!
E se você contradiz seu corpo, ele reclama... ele se estressa e você fica assim, cheia de dores nas costas, dor de cabeça e mau-humor!
Então, mais uma vez cuidado... CUIDADO COM O QUE VOCÊ FALA!

terça-feira, 9 de setembro de 2008

eu e Eu...

É bom quando a gente percebe que já não é tão preguiçosa quanto antes.
Isso eu posso dizer de boca cheia! Não sou tão preguiçosa quanto antes.
A preguiça ainda é um dos meus defeitos mais graves, mas acho que estou conseguindo combatê-la. E tenho achado uma coisa horrível gente preguiçosa!
Uma coisa que eu morria de preguiça de fazer era ler. Achava lindo quem lia 20 livros por ano. Eu não lia 2 páginas! Morria de preguiça, enfim!
Eu tenho lido alguns livros... Não completo 5 por ano, ainda... mas de 2 páginas pra um livro completo de mais de 300, é um grande pulo, vamos combinar!
Agora estou lendo "Comer, rezar, amar" de Elizabeth Gilbert ("A busca de uma mulher por todas as coisas da vida na Itália, na Índia e na Indonésia. Seja também a heroína de sua própria jornada" - é a nota da página, abaixo do título, que eu achei bem brega e desnecessária! Mas o livro é bom!).
Ela conta no livro como foi à Itália pra descobrir o prazer, à Índia pra descobrir a devoção e a espiritualidade, à Indonésia pra descobrir como equilibrar prazer e espiritualidade.
Já estou na parte da Índia... e achei essa parte muito forte! Talvez pelas coisas que eu estou descobrindo sobre espiritualidade por aqui mesmo!
"O caminho da ioga consiste em desatar os nós inerentes à condição humana, algo que definirei aqui, de forma extremamente simplificada, como a desoladora incapacidade de sustentar o contentamento. Ao longo dos séculos, diferentes escolas de pensamento encontraram explicações diferentes para o estado de aparente falha inerente ao ser humano. Os taoístas chamam-no de desequilíbrio; o budismo, de ignorância; o islamismo põe a culpa de nosso pesar na rebelião contra Deus; e a tradição judaico-cristã atribui todo o nosso sofrimento ao pecado original. Os freudianos afirmam que a infelicidade é o resultado inevitável de um embate entre nossas pulsões naturais e as necessidades da civilização. Os iogues, no entanto, dizem que o descontentamento humano é simples caso de identidade equivocada. Nós somos infelizes porque achamos que somos meros indivíduos, sozinhos com nossos medos e falhas, com nosso ressentimento e nossa moralidade. Acreditamos equivocadamente que nossos pequenos e limitados egos constituem toda a nossa natureza. Não conseguimos reconhecer nossa natureza divina mais profunda. Não percebemos que, em algum lugar dentro de todos nós, existe um Eu supremo que está eternamente em paz. Esse Eu supremo é a nossa verdadeira identidade, universal e divina. Se você não percebe essa verdade, dizem os iogues, estará sempre desesperado, idéia expressa de forma inteligente na seguinte frase irritada do filósofo estóico grego Epíteto: 'Você leva Deus dentro de si, seu pobre desgraçado, e não sabe disso'."

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Just breathe...

Não ando muito produtiva.
Estou num momento reativo. Se alguma precisa ser feita, eu faço. Ou esqueço de fazer por conta de "outra coisa que precisa ser feita" que atropelou a anterior.
É muito chato viver de reações.
É bem melhor acordar e decidir que AÇÕES serão tomadas.
Não quero voltar à rabugisse e dizer que talvez o tempo nos torne cada vez mais reativos e cada vez menos espontâneos.
Eu e o tempo estamos mantendo uma relação mais cordata.
E por isso, prefiro dizer que a culpa é nossa. Minha e de quem se identifica. Nós que nos distraimos com as "coisas que precisam ser feitas" e nos deixamos levar sem responsabilidade.
Responsabilidade no sentido de fazer algo com consciência... Reação é mais instintiva, sem muito planejamento, seguindo os padrões.
O tempo de uma respiração mais profunda já nos traz alguma responsabilidade.
Gosto muito de um pensamento (que era uma frase feita na verdade, mas que eu não lembro mais como era exatamente) sobre o aqui-agora (da psicologia e não o antigo programa do sbt) que diz que respirar fundo é uma forma de se situar no presente. Respirar só pode ser feito no AGORA, e AQUI. Não se pode respirar no passado nem no futuro nem num lugar diferente do lugar em que se está.
Com milhares de coisas pra fazer, a gente nem lembra da gente... vira robozinho. E vira um robozinho viciado em "coisas que precisam ser feitas". Quando para pra pensar, vê que podia ter feito de um jeito mais simples, ou de um jeito mais prazeroso, e eu odeio isso!
Eu fico remoendo essas coisas por muito tempo.

Preciso lembrar de respirar fundo!
Respirar é a coisa mais importante que precisa ser feita... antes de tudo mais que precisa ser feito!