domingo, 9 de março de 2008

Cativa-me


"- A gente só conhece bem as coisas que cativou, disse a raposa. Os homens não têm mais tempo de conhecer alguma coisa. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres um amigo, cativa-me!
- Que é preciso fazer? perguntou o principezinho.
- É preciso ser paciente, respondeu a raposa. Tu te sentarás primeiro um pouco longe de mim, assim, na relva. Eu te olharei com o canto do olho e tu não dirás nada. A linguagem é uma fonte de mal-entendidos. Mas, cada dia, te sentarás mais perto..."*
Cativar... mais uma coisa que a gente não sabe bem como acontece. Eu nunca consigo lembrar em que momento minhas amizades começaram. Porque teve algum... elas não brotaram simplesmente. Eu chego a me surpreender quando percebo que cativei alguém. É um dos melhores sentimentos...
E é perigoso cativar...

"- Os homens esqueceram essa verdade, disse a raposa. Mas tu não a deves esquecer. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas. Tu és responsável pela rosa..."*

Porque ao cativar outra pessoa, somos carregados de valor. A partir disso, tudo que fazemos tem um significado maior na vida das pessoas... Nunca se espera um golpe de alguém que nos cativou... Qualquer mesquinhez, qualquer palavra mal usada atinge gravemente.
Pena que pisamos mais naqueles que sabemos que estarão sempre lá. É mais fácil maltratar alguém que está realmente cativado. A gente acha que elas entenderão e perdoarão...
Eu sei. Mas nem sempre.

*Antoine de Saint-Exupéry - O Pequeno Príncipe

Ah, o pequeno príncipe... outro livro que pensam que é para crianças. É grande sabedoria em linguagem simples... e só. E muito!

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