domingo, 14 de outubro de 2007

A Maldade da Expectativa

Expectativa...
Para que existe?! Qual a finalidade da expectativa?!
Se ela nunca corresponde à realidade, por que sempre criamos expectativas?
É vontade de se enganar? É um jeito de se consolar pelo futuro?
São sempre altas, bem altas... e a queda é sempre grande, bem grande!
As que me machucam são as que eu mesma crio. As dos outros, sempre vi como engano de alguém que me imaginava perfeita demais. As minhas, não tenho desculpa, vejo como burrice! Mentir para si mesma é burrice!
Saber que existe uma probabilidade de algo acontecer, é verdadeiro... Apesar de probabilidade e expectativa serem palavras sinônimas, probabilidade me remete a análise de dados, de fatos que se repetem, daquilo que é natural acontecer... se isso, então aquilo (ou probabilidade daquilo). Expectativa já me remete à fantasia... se isso, então aquilo que é lindo, tudo que eu mereço e preciso, que vai mudar minha vida, etc. (com certeza).
A burrice maior é repetir a burrice dos outros...
Fantasia gigante é imaginar que universos paralelos possam um dia se unir, ou pelo menos se espiralar, se encontrar de vez em quando. Sem entrar na definição de universo paralelo (mas sabendo que apenas coexistem), prefiro pensar em linhas paralelas, já que o assunto é expectativa, pois quando olhamos linhas paralelas perpendiculares ao horizonte temos a impressão de que mais a frente elas se encontram. De que no futuro é possível!




“Ordinário desaire de tudo o que é muito celebrado antes é não chegar depois ao excesso do que foi concebido. Nunca o verdadeiro pôde alcançar o imaginado, porque fingir perfeições é fácil; difícil é consegui-las. Casa-se a imagi­nação com o desejo e concebe sempre muito mais do que as coisas são. Por maiores que sejam as excelências, não bastam para satisfazer o conceito, e, se o enganam com exorbitante expectação, é mais rápido o desengano que a admiração. A esperança é grande falsificadora da verdade: que a cordura a corrija, fazendo que a fruição seja superior ao desejo. Princípios de crédito servem para despertar a curiosidade, não para empenhar o objeto. Melhor resulta quando a realidade excede o conceito e é mais do que se acreditou. Essa regra faltará no que é mau, pois ajuda-o a própria exageração; desmente-a o aplauso, chegando a parecer tolerável o que se temeu ser ruim ao extremo”.
Baltasar Gracián y Morales, in 'A Arte da Prudência'


Tenho que criar uma forma de enganar minha natureza e lidar com a realidade... esperar o que pode ser esperado... deixar a fantasia para os sonhos, ou para o momento antes de dormir... lidar com probabilidades...
E se isso não der certo (pois me recuso a ser uma pessoa amarga) desisto de tudo, deixo a janela aberta, e espero que venham me levar para a Terra do Nunca!

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